[DESCANSE EM PAZ NOAH] Polícia descobre o que a mãe de 23 anos e o amigo faziam no imóvel se… Ver mais
O atendimento emergencial na Unidade de Pronto Atendimento Rodoviária de Guarujá começou com uma cena que parecia apenas trágica. Uma jovem mãe de 23 anos cruzou as portas da unidade carregando nos braços o filho desacordado. O menino Noah de Andrade Nascimento, de um ano, chegou ao local sem apresentar nenhum sinal vital. A equipe médica de plantão iniciou os protocolos de reanimação, mas constatou o óbito de forma imediata.
A mãe do menor afirmou convicta aos profissionais de saúde que a morte decorria de causas totalmente desconhecidas. Ela sustentou que a criança havia dormido normalmente após a alimentação e simplesmente não acordou no dia seguinte. Diante do relato inicial, os funcionários registraram o caso sob a natureza jurídica provisória de morte suspeita. Contudo, o exame visual detalhado feito no corpo clínico começou a levantar dúvidas gravíssimas.
Os plantonistas identificaram marcas incomuns na superfície cutânea do bebê e decidiram acionar imediatamente a Polícia Militar. Os militares compareceram ao hospital e conduziram a mãe e seu companheiro de residência para esclarecimentos. O pai da criança também foi chamado ao local e recebeu a notícia da perda de forma traumática. Todos os envolvidos prestaram depoimentos preliminares e acabaram sendo liberados na sequência pelas autoridades.
O Laudo que Mudou a Investigação
O andamento do inquérito policial sofreu uma guinada radical poucas horas após a liberação temporária dos investigados. O Instituto Médico Legal da região litorânea concluiu o laudo oficial detalhado sobre a causa mortis. O resultado das análises científicas desmontou por completo as declarações que haviam sido fornecidas pela mãe. O laudo apontou indícios irrefutáveis de práticas contínuas de tortura física e estupro de vulnerável.
De acordo com as apurações do g1, o corpo do pequeno Noah ostentava marcas severas de violência. Os legistas catalogaram cortes lineares nos pulsos, arranhões extensos e lesões profundas na região anal compatíveis com abuso. O documento também mencionou a presença de queimaduras arredondadas que sugeriam o uso deliberado de cigarros acesos. As evidências científicas comprovavam que o sofrimento do menino não havia sido um fato isolado.
A gravidade do laudo necroscópico fez com que a Delegacia Sede requeresse a prisão de forma urgente. Os alvos dos mandados de prisão foram Iarley do Nascimento Bezerra e José Erasmo Felix Mouzinho. Ambos dividiam a mesma residência onde os fatos ocorreram e foram capturados no início da noite. A reclassificação do crime mobilizou as equipes policiais para garantir a manutenção dos suspeitos no sistema prisional.
O Contexto Familiar e as Prisões
A investigação revelou que Iarley havia se mudado para a casa de José há apenas uma semana. A jovem havia decidido deixar o antigo lar após romper definitivamente o relacionamento amoroso com o pai do bebê. Sem recursos e sem parentes na cidade litorânea, ela aceitou o acolhimento oferecido por José. O homem de 52 anos assumia o pagamento do aluguel e fornecia suporte financeiro para as despesas.
Em depoimento oficial, José alegou que a relação atual entre os dois era estritamente fraternal, comparável a pai e filha. Ele garantiu aos policiais que o bebê aparentava estar em perfeitas condições de saúde horas antes de morrer. O investigado também confirmou que ele e Iarley já haviam mantido um relacionamento amoroso no passado distante. As contradições entre as falas e o laudo pesaram decisivamente para o encarceramento.
A Polícia Civil do Estado de São Paulo segue coletando depoimentos de vizinhos e demais testemunhas do bairro. Os investigadores buscam descobrir se outras pessoas sabiam das agressões diárias e se omitiram diante do crime. O pai de Noah deverá ser ouvido novamente para relatar o histórico de comportamento da ex-companheira. Os dois presos aguardam a audiência de custódia trancados em celas isoladas da carceragem.